Rotina e planejamento como ferramentas de criação
crédito: Marcinha Kohatsu
Durante muito tempo, eu trabalhei no modo “vou dar conta de tudo”.
Spoiler: eu não dava.
Eu aceitava mais projetos do que cabiam na minha agenda, virava madrugadas e trabalhava finais de semana inteiros. Sempre com a ansiedade no talo e a sensação de estar atrasada, mesmo produzindo o tempo todo. Custou um pouco caro para a minha saúde mental entender que eu precisava de método para o meu dia a dia.
Como eu organizo a minha rotina na prática
1. Kanban
O Kanban é uma metodologia ágil de gestão visual de projetos que permite acompanhar o fluxo de tarefas de forma objetiva. Eu uso um Kanban físico na parede do ateliê, com post-its divididos em dois grandes blocos:
Projetos da semana (em andamento)
Projetos em Backlog (demandas futuras)
O Kanban me dá uma visão macro dos projetos e me ajuda a entender o volume de trabalho.
2. ClickUp
O ClickUp é uma plataforma super eficiente para gerenciar tarefas. Eu coloco absolutamente tudo na ferramenta. Não só os jobs de ilustração, mas também o planejamento estratégico e de conteúdo, posts das redes sociais, balanço financeiro, organização administrativa, projetos pessoais e estudos.
Se o Kanban me ajuda a ver o todo, o ClickUp me ajuda a organizar os projetos por etapas.
3. Estimativa de horas & Controle de Capacidade
Essa duplinha faz mágica na administração de demandas. O choque de realidade é grande quando a gente transforma o “Essa ilustração eu faço rapidinho” em estimativa de tempo para briefing + pesquisa + esboço + refino + arte-final + ajustes.
Foi assim que eu passei a enxergar minha capacidade real de produção. Hoje eu sei quantas horas produtivas eu tenho por semana. E isso mudou totalmente a minha relação com prazos e propostas.
4. Planejamento em camadas
Eu trabalho com três níveis de planejamento: anual, mensal e semanal.
No planejamento estratégico anual, eu defino metas maiores. Projetos autorais, posicionamento, faturamento e aprimoramento técnico.
No planejamento mensal, eu transformo essas metas em ações concretas.
E no planejamento semanal, eu organizo a semana seguinte com base nas horas já comprometidas no ClickUp. Normalmente eu monto esse calendário na sexta-feira. Na segunda, ajusto o que for necessário.
Planejar assim não engessa meu trabalho. Só me ajuda a definir o que é prioridade e o que precisa esperar.
Com o tempo, eu também entendi que marca autoral não é só para projeto pessoal. É fácil manter a linguagem para criar com pressão, prazo e aprovação. O cliente pode ter briefing, referências e objetivos que serão respeitados, mas ele escolheu o meu trabalho, o meu olhar e a minha forma de resolver uma imagem. Se eu deixo isso de lado, eu viro só executora de tendências.
5. energia criativa x tarefas administrativas
Nem todas as horas de trabalho são iguais.
Ilustrar exige um tipo de energia diferente de responder e-mails, organizar financeiro ou planejar conteúdo. Durante muito tempo, eu tratava tudo como se fosse equivalente. Não é.
Hoje eu tento organizar minha semana considerando isso. Eu concentro o trabalho criativo mais pesado nos períodos em que estou mais descansada e deixo tarefas administrativas para momentos em que a energia já não está no auge.
Também aprendi a contabilizar essas tarefas “invisíveis”. Reunião é trabalho. Prospecção é trabalho. Planejamento é trabalho. Tudo isso entra na conta.